ana vanzin

Direito digital · Protótipo acadêmico · 2026

Algoritmo
em Disputa

Como tornar uma decisão automatizada compreensível e contestável?

Uma adaptação jurídica brasileira do llm-council, de Andrej Karpathy, por Ana Vanzin. Quatro perspectivas examinam a decisão; a crítica cruzada expõe limites dos pareceres; um relator reúne consensos e dissensos.

Percorra um caso fictício

Demonstração estática

Os textos abaixo foram preparados para ilustrar as três fases. Ao mudar de caso ou de fase, você navega por esses exemplos: não há geração de respostas por IA, envio de relatos, nem armazenamento de conversas.

Situação fictícia · Textos preparados para esta publicação

Benefício rural indeferido

Uma trabalhadora rural recebe uma negativa de benefício em um serviço público digital. A mensagem informa apenas que os requisitos não foram comprovados. Ela não consegue identificar quais dados foram considerados, se houve análise automatizada ou como corrigir uma possível divergência cadastral.

O que precisa ser esclarecido antes de discutir o mérito do pedido?

Fase 1 · Quatro perspectivas

Papéis didáticos, sem representação institucional. As quatro leituras partem da mesma situação e podem discordar.

A

Defensoria Pública · Direitos

Uma negativa genérica dificulta contestar o fundamento da decisão. O primeiro passo do exercício é pedir acesso às razões e aos dados considerados, distinguindo erro cadastral de falta de prova. O exemplo não permite concluir que a requerente tem direito ao benefício.

B

Cientista de Dados · Explicabilidade

Não sabemos se houve modelo estatístico, uma regra administrativa ou participação humana. É preciso identificar a origem e a atualização dos dados e o procedimento que produziu a negativa. Uma lista de variáveis, sozinha, não explica por que o pedido foi indeferido.

C

Administrador Público · Governança

O serviço deve permitir localizar a decisão, entender sua motivação e alcançar o canal responsável pela revisão. A proposta do protótipo é preservar uma trilha verificável e possibilitar intervenção humana, sem confundir essa proposta de governança com uma obrigação literal de toda a legislação.

D

Cidadão · Direitos digitais

Um portal pode divulgar informações e ainda ser incompreensível. A explicação deve dizer, em linguagem comum, o que faltou, onde verificar os dados e como pedir revisão. O desenho também precisa considerar quem não tem internet e quem precisa de ajuda para compreender a negativa.

Fase 2 · Crítica cruzada

No código de origem, os pareceres recebem rótulos e são avaliados por outros modelos, com ranking. Aqui, a crítica é um roteiro previamente escrito, sem pontuação gerada. Ocultar a autoria do parecer não anonimiza dados pessoais.

Parecer A
Protege o direito de contestar, mas precisa separar o acesso à fundamentação da conclusão sobre o benefício. Uma falha na explicação não prova, por si só, o direito material.
Parecer B
Evita presumir a tecnologia usada. Precisa traduzir a investigação técnica em perguntas que a requerente consiga fazer e que o órgão consiga responder.
Parecer C
Identifica responsabilidades e caminhos de revisão. Deve evitar transformar a supervisão humana defendida pelo projeto em um comando legal genérico.
Parecer D
Expõe a barreira de compreensão e acesso. Uma comunicação acolhedora precisa vir acompanhada de meios efetivos de corrigir dados e contestar a decisão.
Ver a correspondência entre rótulos e perspectivas

A — Defensoria Pública; B — Cientista de Dados; C — Administrador Público; D — Cidadão.

Fase 3 · Síntese com dissenso

Síntese preparada para o exercício. Um relator organiza o debate; não substitui a autoridade competente nem decide um requerimento real.

Consenso

O ponto de convergência é tornar a negativa identificável, explicável e revisável. Falta informação para avaliar o mérito do benefício ou afirmar que a decisão foi exclusivamente automatizada.

Roteiro de esclarecimento

  1. Identificar a decisão e solicitar sua fundamentação.
  2. Verificar quais dados e procedimentos foram usados, sua origem e possíveis divergências.
  3. Localizar o canal de correção e revisão, com explicação acessível e alternativa de atendimento.

Dissenso e limite

As perspectivas dão pesos diferentes à urgência, à investigação técnica e à organização do serviço. A intervenção humana é uma proposta do projeto. Nenhum dos pareceres preparados comprova o direito ao benefício ou a adequação de uma medida em um caso concreto.

Origem, arquitetura e versões

O repositório registra a adaptação de Ana Vanzin em maio de 2026 sobre o llm-council de Andrej Karpathy. A contribuição desloca o conselho para a contestação de decisões automatizadas na administração pública brasileira, com atenção à literacia algorítmica e à comunicação humana com pessoas em situação de vulnerabilidade.

A implementação do repositório usa React/Vite e FastAPI. Ela associa quatro personas a modelos diferentes, consultados via OpenRouter; depois promove avaliação cruzada e uma síntese por um modelo relator. As personas são construídas pelos prompts. A independência dos modelos não elimina erros, vieses ou a necessidade de conferir referências.

Esta página oferece uma demonstração didática original em HTML, CSS e JavaScript. A implementação com modelos está disponível para estudo no repositório. O início de uma migração para Cloudflare Workers, em julho de 2026, ainda não constitui uma aplicação completa.

Projeto de origem: Andrej Karpathy · Adaptação jurídica: Ana Vanzin.
O crédito ao projeto de origem é preservado. A licença de redistribuição não está explicitada nos repositórios consultados; o código herdado permanece em seu repositório de origem.

Lei vigente e proposta do projeto